Arquivo da categoria ‘Diário poético’

Fada da poltrona

Publicado: 13/11/2015 em Diário poético

Fadada poltrona onde já findei sonhos e e hoje escaldo o pé,

Pelos teus caules curvos do tempo, bolhas e pétalas se dão a ver…

No devaneio, imagino pé virando asa e esqueço da brasa até

Então a fada aparece e sussurra sagaz algo como uma prece:

“- Ei, moça, agora é hora de escaldar a fé!”

com contorno

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uma breve

Publicado: 27/01/2014 em Diário poético

“Escondo o objeto pra lhe garantir um futuro” – disse o moço da embalagem.

“Já eu, ilumino um futuro pra me desgarrar do objeto” – respondeu a moça, tomando o pacote nas mãos.

Enquanto isso, a utopia-e-vinha como um ioiô…

Roda-gigante-que-gira-para-os-dois-lados

Clube da esquina 15 mil *

Publicado: 24/11/2013 em Diário poético

Não sei quem assustou mais, se foi ele ou eu. Bastou o coração voltar do pulo que deu, e pedimos desculpas um pro outro, quase que ao mesmo tempo. Ele, por se aprumar subitamente desconfiado, com gestos de corpo prontos pra se defender de um possível ataque vindo de cima (melhor que nós, sabe que dormir na rua significa não poder relaxar); eu, porque até o momento em que dele me aproximei, só via um homem imóvel deitado de costas, ao lado de uma carroça. Desfeito o susto mútuo que diluiu nossa desigualdade, saí com uma bênção. E ele, com um iogurte.

cama de papelão

* 15 mil é o número aproximado de moradores de rua em São Paulo.

In queri tô

Publicado: 05/04/2013 em Diário poético

Ei, você! 

Tá on ou off?

In ou out?

Longe ou rente?

Tá louco ou são?

Vítima ou vilão?

Igual ou diferente?

Nem vem que não…

Tente!

Come on!?… Eu tô in…

Coerente?

ilusao-de-otica

 

mar & p ´ousa

Publicado: 16/01/2013 em Diário poético

piscou-me, belo, um vagalume!

uma, duas, três e outras mais

não fosse o susto da maçã cair no colo,

nem o segredo úmido das profundezas do bosque,

e eram mesmo só seus olhos…

 

Vagalume brilha

Lacanagem

Publicado: 20/08/2012 em Diário poético

Esbarro num sujeito barrado

Ô ato falho do caralho!

Feito iguana, vem com gana de quem se iguala.

Mas o talho me ata, desta vez eu não me engano.

.

Das tuas migalhas eu fiz refeições

Com tuas migalhas eu me lambuzei

Como se fossem pérolas em concha

As protegi com o melhor de mim

Mas tuas migalhas se tornaram sombras

Joguei-lhes luz como quem varre o pó

– limpa daqui, esfrega de lá –

E assim sobraram bolhas de sabão.

Pronto. Acabou o sabão.

Acabou o sabão?

* * *

Sabe, num ninhozinho de sabiás, sabia-se que o saber só se associa com quem sabe assobiar…

Pavlov sabia.