Vênus de Mim

Veja só que bacana, após o incêdio, fui à procura de objetos biográficos remanescentes…

Eis que,  embrulhado em jornal, numa caixa esquecida no depósito da casa materna, tava ele lá: inteiro, meio mofado, mas ainda belo.

Pintei esse quadro quando tinha 14 anos, nas aulas de pintura. Era num imenso galpão-ateliê iluminado em tons sépia, onde aconteciam as aulas de pintura do mestre uruguaio: Pedro Alzaga, casado com uma brasielira mulata muito mais jovem que vinha sorridente nos trazer suco, café e bolo durante a aula.

Objetos e tecidos em composições diversas. Esfumaçadas com o dedo mindinho. Manchas de pastel colorido, giz e carvão. Aprendizes com olhares demorados pras coisas. A esperada visita do mestre no nosso cavalete. Às vezes, modelos vivas e nuas. Muitas vezes, Vivaldi ao fundo. Esse era o clima…

Passando pela casa hoje, ela parece abandonada. Nunca mais ouvi falar dele, que tanto me ensinou sobre luz e sombra…  Acabei me afastando da pintura.

Agora , o quadro está dependurado na cabeceira da cama no quarto da infância. Cama e quarto novos na casa da infância. E a parede estampa meu novo corpo. Meu novo velho corpo.

comentários
  1. Luiz Fernando Andrade Meirelles disse:

    Thaís que coisa linda!!!

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