Que mais posso querer?

Além de ser jovem, saudável, ter um amor-parceiro, um trabalho vocacionado, uma boa família, uma casa aconchegante, numa bela cidade, que mais posso querer?!…

Uma outra forma colocar a pergunta seria : tendo já tudo isso, o que é que não quero?

A resposta não tarda: a estabilidade se encarrega de abrir a porta para um convidado que não é bem vindo: o tédio. E aí, um simples café pode começar tudo… (Inclusive o fim, mas essa já é outra história.)

Ah, as paixões…  Esse é mais um filme desses que parecem histórias da vida real, sobre amantes que não podem  estar juntos porque são compromissados e têm que arranjar jeitos de se amar escondido.

Ao sair da sessão, observo uma rodinha de amigos conversando sobre o filme:

 

– O que fez ele notar ela, hein?

– E ela, como notou ele?

(Cabe uma notinha, além de os protagonistas não serem duas beldades – embora tampouco fossem feios – , no primeiro encontro, ele estava desempenhando seu trabalho, que tende a ser socialmente invisível: era garçom ).

 – Será que foi o olhar?

– Ou o sorriso?

– Ah, mas o sorriso e o olhar vêm juntos, não dá pra separar…

– Será que foi desde o primeiro encontro ou será que foi na segunda vez?

_- Será que foi porque ela era uma patricinha rica do norte, e ele um trabalhador simples do sul, tipo “os opostos se atraem”?

– Gente, não importa como, quando ou porque começa, o que importa é que depois que começa, é quase impossível parar! Depois que os dois se notam, se provam e se lambuzam; depois que se separam, se angustiam, e se culpam; eles se enredam num redemoinho, porque se querem de novo,  e aí se reaproximam, se deliciam de novo, se lambuzam de novo, se separam de novo, e se rasgam  por dentro de novo, e de novo, e isso vai virando uma perigosa rotina, porque a fome do corpo já é fome do cheiro, da voz e do jeito, é desejo de flerte e de estórias, anseio pelo até onde se pode ir; o corpo já não é mera carne, é corpo habitado, tem sabores, texturas e odores, se mesclam sentidos, e o outro – irresistível – se torna tão delicioso quanto mortífero!… Pra sair dessa, meus amigos, só com um corte bem dado! E claro, sustentado!

– Puxa, agora cê falou bonito, hein! Parece até que já passou por isso, rs…

–  E o que mais posso dizer, rs?…

             (Rs geral)

– Mudando de assunto, pessoal, cêis acham que alcoolismo tem cura???

–  Que tal se a gente discutisse a questão tomando uma breja, hein, rs?

(E assim o grupo se foi, mas parece que o assunto seguiria sendo o mesmo, rs…)

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