O tal do poema

Encontrei um poema escrito há tempos. Era algo como a pauta de uma “DR” em rimas e versos. Ficou quase esquecido numa pasta de com-puta-dor, sem chegar ao destinatário, também seu inspirador. Mas ele sabia de sua existência, apenas preferira não ler. E como o tempo de um quase nunca é o do outro, o teor do poema já parecia estar morto.

Finalmente hoje, ele foi enviado, gerando um alívio, quase qu´inusitado.

(Freud dizia que “aquilo que não se elabora, se repete”. Sábia síntese desta operação inconsciente: regula a vida psíquica, a social, e a própria História.  Se não dá pra evitar o retorno do mesmo, o desafio é, por fim, minimizar os efeitos).

Mas fiquemos na psicologia “preventiva” de uma relação a dois, pra poupar este post de mais palavras depois. Elegi comentar a forma elaborada: não o verbo-sintoma, mas a palavra pensada.  E por mania minha, afunilada em rima: lá vem a dor sendo atenuada…

Quando um problema antigo volta à luz de uma relação é sinal de que o tempo e a sombra já não ocultam sua expressão. Impossível não lembrar do velho jargão: “Longe dos olhos, longe do coração”… Ou melhor seria dizer, inspirada no Freud, “longe das palavras, longe da elaboração?”

Há ocasiões em que temos que admitir que não perdemos, pois a coisa (a causa?) já está perdida. O que perdemos, então, é a ilusão. Em casos desse tipo, uma “DR” não faz sentido, isso porque não dispõe, do recíproco bem dito e ouvido.

Mas quando “Ela” acontece em tom apropriado, o que vemos é o mais fundo respeito: palavra enlaçada no ato. E apesar de todas as dores, e também do risco da perda, duras virtudes – como a franqueza – injetam coragem, revelam beleza.

Quantos de nós já não se esquivaram, de uma franca conversa, até que os anos passaram?… Quantos de nós, andarilhos de superfícies, já não escolheram mesmices protocolares, em prol de evitar uns pesares?…

Mas eis que a recusa de um, outra condição funda: o que era sombrio e morava no corpo verte-se então em pergunta.

E aí, que fazemos com isso?!

Taí uma boa questão… Cada um faz aquilo que pode, desde que queira, desde que goste.

Nesse caso preciso, fez-se uma boa “DR”, rolou um telefonema, e o par encarou o problema. No ritmo sincopado dançaram, as luzes junto com as sombras: acrobacias simbólicas – efêmeras e estroboscópicas – repuseram em curso o tal do poema.

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